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terça-feira, 17 de novembro de 2015

O carro dos sonhos do meu pai

Refletindo sobre a diferença entre a expectativa dos sonhos e a realização deles


Fonte: Wikipédia
Há 29 anos a banda de rock "Camisa de Vênus" lançava o seu álbum de maior vendagem, “Correndo o Risco”. O grande sucesso do disco foi a música "Simca Chambord". Na música, a banda fazia um paralelo entre o primeiro carro de luxo produzido no Brasil e as mudanças políticas que ocorreram no país durante período em que ele foi produzido aqui. Eu já tinha ouvido falar no Simca Chambord, mas como eu nunca me importei muito com marcas e modelos de carros não sabia nada sobre ele até que a música começou a tocar nas rádios.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A minha primeira TV

Um balanço da influência da TV na minha primeira infância.


Fonte: Deviantart e Wikipédia
Estava olhando num restaurante, um menino bem pequeno. Os adultos conversavam enquanto ele se distraia com um tablet. Fiquei lembrando que quando tinha a idade dele não tinha essa opção e, aliás, nem televisão eu conhecia. Pois é, por incrível que pareça eu fui conhecer televisão só com quase 4 anos. Na verdade, na minha distante cidade no interior não pegava nenhum canal. Foi quando um político/comerciante da cidade decidiu reunir fundos entre os moradores para instalar uma antena repetidora de TV. Na verdade, isso possibilitava pegar apenas um canal de TV e o canal escolhido foi o que transmitia a programação da Rede Tupi, que foi a primeira e na época a maior do Brasil.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A pequeneza

Era um domingo no início de 2010. Tinha ganho ingressos para assistir a peça "O Estrangeiro", numa montagem baseada no livro de Albert Camus (que eu nunca li). Recentemente tinha assistido a uma montagem bem fraca de "Calígula", também de Camus, e tive curiosidade de ver a nova peça para tirar a má impressão. Saí do teatro muito bem impressionado, a história é marcante e a atuação do ator Guilherme Leme excelente. Foi a última peça (não cômica) que assisti. Sinto falta, quero voltar aos teatros.
Albert Camus. Fonte:Wikipédia
O personagem principal, Meursault, está sendo julgado por um assassinato e conta a sua história pequena, sem mágoas, sem remorso. Apenas levado pelos acontecimentos.

Ontem o P me apresentou um ótimo artigo sobre o Paradoxo de Fermi, que explica teorias sobre a solidão (ou não) da Humanidade na imensidão do Universo. Hoje um desentendimento pequeno, mas revelador da minha personalidade, me fez pensar na insignificância da vida diante da imensidão e tempo do Cosmos.

Enrico Fermi. Fonte:Wikipédia
Percebi que os nossos destinos são traçados por nós, mas pequenos percalços nos levam para caminhos completamente inesperados. Assim como aconteceu com Meursault, eu não esperava, mas não posso fugir. Todas as coisas boas que você faça na vida não compensam uma realmente ruim.

No final das contas, isso não vai alterar muito no destino do Universo. Nem para o bem, nem para o mal.

Fontes:

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Falhas de comunicação (beep...beep...beep...)

Como aprendi a dar valor a espera por uma notícia.

Pode ser que, mais uma vez, a minha memória esteja me traindo, mas neste caso, como em boa parte da vida, o que importa é a história lembrada e não o fato em si. Pois bem, estava eu, num quente domingo de janeiro de 1990 fazendo a prova de redação do vestibular (eu sei que já estava bem velho para o vestibular, mas isso não vem ao caso). O que importa é que até hoje me lembro do tema, era sobre transformações, que estávamos vivendo e que viveríamos no futuro. Como de costume, havia um texto inicial, esse falava sobre a batalha de Waterloo, mais especificamente sobre as transformações que a Europa sofreria com os resultados daquela batalha e da expectativa da chegada da notícia da vitória, ou de Napoleão ou de seus opositores. Aqueles dois ou três dias de espera pelas notícias vindas dos campos da Bélgica foram angustiantes para os habitantes de Londres, Berlin ou qualquer cidade mais distante no continente.
Batalha de Waterloo - Fonte: Wikipédia
Diante do tema e do texto resolvi abordar a transformação das comunicações. Para entendemos melhor, vamos retroagir ao ano de 1990, aqui no Brasil. Para você ter uma ideia, não tinha sido inventado o “WWW”, nem os navegadores da internet. Aliás, a internet era uma novidade que estava restrita aos meios acadêmicos, nem acesso a e-mail as pessoas tinham em casa ou no trabalho. Telefone celular, no verão de 1990 ainda não tinha sido lançado no País. Mesmo o telefone fixo era raro e muito caro. Lembro que em 1994 o meu sogro vendeu a linha de telefone que ele tinha e deu entrada no pagamento do apartamento que ele mora até hoje. TV a cabo também não tinha. O que existia eram mídias mais tradicionais, jornais diários, revistas semanais e alguns canais de TV aberta (normalmente 1 ou 2, nas grandes cidades 4 ou 5) e, é claro, o rádio.
Foi nesse contexto que escrevi a redação comparando a dificuldade de comunicação da época de Napoleão comparada com 1990. E antevi, sem grande brilho, que guerras seriam transmitidas ao vivo pela TV (quem viu a Guerra do Golfo lembra-se disso), mas nem imaginava que seriam transmitidas pela internet como ocorreu na recente Primavera Árabe. Hoje, mais vivido e viciado em tecnologias de comunicação atuais: celular, sms, Skype, Twitter, WhatsApp, etc., anseio por respostas imediatas. Uma ligação não atendida, um torpedo não respondido em 1 minuto, uma mensagem não curtida, são razões para entrar em desespero. Penso: o que aconteceu? Por que ela não atende? Será que vai sumir? E outras hipóteses tão absurdas que não valem o comentário.
Fonte: Deviantart

Para me consolar, resolvi voltar no tempo. Não a 1990, nem mesmo a 1970, quando começou a ter sinal de televisão na minha cidade e nós não tínhamos telefone em casa, mas sim a 1815. Fico imaginando aquelas famílias dos soldados sem patente, que depositaram todas as esperanças nos seus filhos e maridos e ficaram esperando por notícias deles, não dois ou três dias como foram as do resultado da batalha, mas por semanas. A Wikipédia diz que 1 de cada 3 soldados envolvidos na batalha, ou morreu, ou foi ferido, ou foi preso ou, simplesmente, desapareceu. Nessa hora não importa se o soldado era francês, inglês ou prussiano, se era o seu marido e ele estava morto, a vitória não existiu. Pior foram aqueles que desapareceram. Tento me colocar no lugar daquele filho no final da infância esperando esperançoso por notícias do seu pai. Tentando identificar cada soldado que via na rua em busca de notícias que não chegavam nunca. A esperança definhando e a juventude indo embora junto. É nessa hora que eu vejo o quão idiota eu sou em ficar ansioso por uma resposta imediata num gadget qualquer. Quando a relação é verdadeira a comunicação retorna.
"Os Girassóis da Russia" - Fonte: Wikipédia
Para terminar lembrei-me um filme que eu gostei muito quando criança: “Os Girassóis da Rússia”, de Vittorio de Sica, com Sofia Loren e Marcello Mastroianni. O filme não se passa em Waterloo, e sim ao final da Segunda Guerra, mas mostra bem o que a guerra e a falta de comunicação faz com os amores.





Fontes:
- Batalha de Waterloo - Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Waterloo
- Filme "Os Girassóis da Rússia" - http://en.wikipedia.org/wiki/Sunflower_(1970_film)
- Site de imagens: http://www.deviantart.com/


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Heroicos soldados ansiosos

Fonte: Veja na História


Imagino que o primeiro soldado a sair da trincheira, indo de encontro às balas inimigas, prefira a probabilidade da morte quase certa à expectativa, durante dias infindáveis, de um futuro incerto.


Fontes:

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Desculpando (um pouco) o racismo

Considerações sobre o racismo "científico" e as gerações que foram influenciadas por essas ideias.


Francis Galton - Wikipedia
Estava lendo o delicioso livro de Leonard Mlodnow, sobre a aleatoriedade e a influência que ela tem em nossas vidas, "O Andar do Bêbado" e me deparei com um trecho sobre o Eugenia. Você pode se perguntar o que um livro sobre a história da estatística e da probabilidade falaria sobre o melhoramento genético. Ocorre que Francis Galton, primo de Charles Darwin, foi um médico que viveu na metade do Século XIX e que como matemático brilhante foi quem introduziu o pensamento estatístico na biologia. Quando ele fundou a Eugenia, do Grego eu (bom) e genos (nascimento), aparentemente, ele pretendia melhorar a condição humana (tal como eliminar doenças hereditárias) através da reprodução seletiva.

Com certeza foi uma ideia simples, mas revolucionária. Baseado nos estudos que fez das características humanas e com a ajuda das ideia do livro de Darwin publicado 10 anos antes do seu, incentivava processos de seleção artificial nos humanos. Do mesmo modo que, há milhares de anos, a humanidade já fazia com produtos agrícolas e com animais domésticos.

Entre 1869, data da publicação do "Gênio Hereditário" de Galton, até 1945, com a derrocada final do nazismo alemão, muitos cientistas sérios, apoiados por forças econômicas e políticas poderosas, reafirmaram a validade da Eugenia. O problema é que ela, ao invés de melhorar a humanidade, acabou piorando as condições de várias populações pela justificativa "científica" para o racismo e a discriminação social.

Hoje a grande maioria das sociedades condena formalmente o racismo e os racistas "declarados" são os que vivem nos "guetos" culturais, se escondendo em blogs obscuros e em literatura subversiva. Ninguém com uma cultura científica razoável atualmente tem coragem de defender a Eugenia. Mesmo as leis, que ainda existem em alguns lugares do mundo, que proíbem a procriação de pessoas com problemas genéticos estão acabando.

Nesse contexto, hoje eu entendo muito melhor um capítulo de um livro de ciências que o meu avô (aquele de quem já falei outras vezes), usava na escola. O livro "Noções de Ciências Físicas e Naturais", em uma edição de 1920, diz, logo no início do capítulo de ciências naturais, que a [...] raça branca ou caucasiana [...] são os mais inteligentes e sua influência estende-se sobre todos os outros homens.
Texto original sobre a superioridade branca

Meu avô não era um homem especialmente racista. Sempre foi um homem que fez muitas obras sociais, apesar de ser pobre, e nunca fez parte de nenhuma organização que fizesse apologia à superioridade branca. Bem pelo contrário, detestava os fascistas. Mesmo assim me lembro de algumas declarações antissemitas, do tipo "paranoico" sobre o "sionismo internacional". Por outro lado, vendo o livro de ciências para adolescentes de 1920, é fácil de entender como uma geração que foi criada entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial pode apoiar tão facilmente teorias sobre superioridade racial.

Assim como não podemos mudar o passado, também não podemos esquecê-lo para não corrermos o risco de repetir os mesmos erros. Foi pensando nisso que mostrei o livro para a minha filha de 11 anos.

Fontes:
- "O Andar do Bêbado" - Como o Acaso Determina Nossas Vidas - 
Autor: Leonard Mlodinow - Editora: Zahar - 2009.
- "Noções de Ciências Físicas e Naturais" - Editora: Livraria Francisco Alves - 1920
- Eugenia - Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Eugenia
- Charles Darwin -Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin
- Francis Galton - Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Galton
- Sionismo - Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sionismo

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Ética na Ciência

Quais são os limites da ética no estudo científico? Uma monografia, com exemplos históricos de conflitos éticos na ciência.

Obs.: Este post é uma reedição de um trabalho que escrevi, em agosto/2002, quando estava fazendo mestrado. Agora coloco aqui para torná-lo público. O estilo é um pouco mais acadêmico do que o de costume, porém, simplifiquei e atualizei os links das referências bibliográficas (sem deixar de mencioná-las) e também alterei a numeração dos itens.

1. Introdução

Vivemos numa época em que conceitos caem por terra diante da falta de comprovação científica. Assim acostumamo-nos a acreditar que alguma coisa só tem existência e projetos só têm viabilidade se comprovados “cientificamente”. Consequentemente, a ciência torna-se a “religião da modernidade”. Mas sabe-se que toda religião tem seus padrões morais, e esses são objetos do estudo da Ética. Portanto quando se faz ciência não se pode fugir da ética.
Este trabalho tem como finalidade mostrar alguns pontos, que são mais polêmicos, relativos à ética científica, através de alguns exemplos históricos e outros atuais, procurando questionar os limites éticos da ciência.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Nelson Mandela. Um grande homem, mas não um super-heroi.

Super Nelson Mandela

No rastro das notícias sobre o declínio do estado de saúde de Nelson Mandela, o Yahoo colocou uma lista de filmes e séries de TV sobre ele. Vi alguns e de outros nem sabia da existência. Como sempre, fui dar uma verificada nos comentários. Um deles me chamou especialmente a atenção, foi de um tal de Eric. Abaixo eu coloco o diálogo que tive com ele (ocultei as respostas de outros leitores para ser mais focal). A conversa é meio maluca, mas é do tipo que se encontra nos comentários de notícias.


Yahoo Discussão Nelson Mandela
Discussão sobre Nelson Mandela
- Eric (postou): O Mandela foi o símbolo do "apartheid", mas o que não contam é que ele foi preso a prisão perpétua por matar civis e não porque era somente contra a segregação racial. Quem aprende história pelos filmes de hollywood acaba não sabendo dos fatos verdadeiros. Quando terminou o "apartheid" negros tomaram casas, fazendas de brancos, virou uma anarquia geral por lá, tanto que a África do Sul foi considerada capital mundial do estupro e da prostituição. Mas a mídia, precisando de "heróis negros" no politicamente correto, #$%$u o Mandela como um "anjo de candura".
- DeMorais (perguntou): Eric, de onde você tirou a informação de que Mandela "foi preso a prisão perpétua por matar civis"? Procurei na internet e não encontrei, só falam em duas condenações: por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves (pena de 5 anos) e a segunda (perpétua) por sabotagem e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul.
- Eric (respondeu): DeMorais, ele foi para fora estudar livros de guerra e terrorismo, até aprendeu destruir prédios, acha mesmo que não matou ninguém? Li uma matéria sobre isso ontem, uma americana me mandou a matéria de um site dos EUA, é óbvio que não vão divulgar hoje tais dados, com também estão sumindo de Newport (EUA) os arquivos que comprovam que quem iniciou a escravidão foram os Judeus que foram os grandes comerciantes negreiros. DeMorais, vários fatos históricos são "esquecidos" ou maquiados, inclusive os da Segunda Guerra Mundial. O que você vê hoje é a versão dos vencedores da Guerra como também vê o que eles querem que você veja e pense. Sobre os judeus busca no google George White Jr. 1969, está em inglês. Agora o do Mandela não me recordo de cabeça, mas o artigo é muito interessante e desmente vários mitos. E não são teorias da conspiração, estão todos documentados. Ou simplesmente entra no yahoo dos Estados Unidos, agora que está aparecendo matérias sobre o Mandela, lá eles comentam numa boa esses assuntos, aqui devido ao politicamente correto sou crucificado se comentar, só ler os comentários que mandaram pra mim.
Quando perguntei de onde ele tinha tirado a informação sobre a suposta prisão por “matar civis”, eu realmente queria ter a visão do “outro lado”. Ou seja, daqueles que não têm a mesma opinião que eu. Vamos ver primeiro a história de Mandela.
Cresci vendo notícias sobre o "apartheid" na África do Sul e na antiga Rodésia (atual Zimbábue). Havia certa admiração pelo progresso e desenvolvimento da África do Sul (dos brancos), por outro lado um grande incômodo com a maneira que os negros eram segregados. A pressão internacional era crescente pelo fim da segregação e o Mundo esperava por uma mudança. Ao mesmo tempo ficava no ar a pergunta: o que vai acontecer com o país quando os negros conseguirem a igualdade de direitos? A imprensa tinha sérias dúvidas se não haveria uma guerra fratricida entre os negros, já que não havia muita confiança nas suas lideranças. Mandela, não era uma pessoa “de carne e osso”. Ele era uma “lenda viva”, só tinha fotos antigas dele (quando ele saiu da prisão todos se surpreenderam com os cabelos brancos). Não podiam entrevistar, não tinha declarações. Alguns diziam até que ele já tinha morrido e estavam escondendo o fato. Além disso, dizia-se que ele era comunista (é importante lembrar que ele só foi libertado poucos meses depois da queda do Muro de Berlim) e ninguém queria uma África do Sul comunista (exceto a finada URSS).
O fato é que Mandela foi libertado em 1990. Saiu da prisão com um discurso conciliador, acabou ganhando o Prêmio Nobel da Paz, venceu as eleições para presidente e pacificou o país. A África do Sul não virou o paraíso dos negros, mas também não se tornou o inferno dos brancos. Hoje é só mais um país como qualquer outro (não mais um pária da comunidade internacional), com suas qualidades e problemas já bem conhecidos.
Mas voltemos à minha conversa com o Eric. Começando pela resposta à minha pergunta sobre se ele teria sido preso por “matar civis”. O argumento do Eric de que ele teria ido “para fora estudar livros de guerra e terrorismo” e até teria aprendido a “destruir prédios”, e que por isso teria matado civis é muito fraco para justificar a afirmativa de que ele realmente matou civis. Além disso, ele nunca foi formalmente acusado desse crime, nem mesmo pelo regime do "apartheid". Sobre a relação entre judeus e tráfico negreiro, vou me abster de comentar, primeiro porque não entendo do assunto, segundo porque parece coisa de maluco. No terceiro ponto da resposta ele sugere que eu entre no Yahoo americano para ver os comentários. Eu fiz isso e, realmente, os comentários lá são muito mais racistas do que os que vemos aqui. Vejo algumas razões para isso: a) a imagem do Mandela aqui no Brasil é mais positiva; b) os mediadores do Yahoo gringo são muito mais tolerantes que os nossos; e c) o racismo americano, não sei se é maior, mas é muito mais explicito do que o brasileiro.
Esse pequeno diálogo serviu para reafirmar a minha crença de que o santo de um é o demônio do outro. A História está cheia de heróis de alguns países e que são considerados monstros por outros. Napoleão é o maior herói francês, mas é odiado por russos e espanhóis, Solano López é tratado como um tirano pela historiografia brasileira, mas tem vários monumentos em sua homenagem no Paraguai. Mesmo “super-vilões” como Stalin tem seus monumentos que são reverenciados. Aliás, será que existem mesmo “super-vilões”? Será que nada ficou de bom do legado de Stalin, Hitler ou Gengis Khan? Não tenho as resposta, porém acho que mesmo que eles tenham feito coisas boas, o saldo foi amplamente negativo.
Por outro lado, é razoável se exigir que uma grande personalidade pública seja um santo? Não quero nem citar os exemplos de pessoas consideradas santas pelas diversas religiões. Vamos pensar só em alguns “quase” unânimes e recentes como Gandhi ou Luther King. Cada um deles cometeu seus erros e, mesmo assim, foram muito importantes para a humanidade. Portanto, na minha visão, “super-heróis” ou “super-vilões” só servem para a ficção. Pessoas de verdade são humanos, alguns com H maiúsculo.
Enquanto escrevo este post as notícias sobre Nelson Mandela são de que o seu estado de saúde é critico. Ele está com 94 anos (meu avô morreu com essa idade), pode ser que ele ainda viva mais algum tempo, mas se não tem mais saúde ou consciência não podemos esperar demais. Salve Nelson Rolihlahla Mandela, um grande humano com H maiúsculo, mas não um “super-homem” (e precisa ser?).

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O "nariz perfeito", a maior conquista da engenharia genética.

Uma crítica à obsessão com a perfeição estética. 


Era de tarde num sábado qualquer de 1983, fui sozinho, como quase sempre, ao antigo cinema São João no Centro. Não sabia nada sobre o filme, mas saí balançado do cinema. Foi assim a primeira vez que vi "Blade Runner". Era um filme muito diferente das ficções científicas da época, muito mais denso. Bem, com o tempo o filme se tornou um dos maiores "Cult Movies" da história. Bom eu poderia comentar sobre os diversos aspectos éticos e morais da trama, sobre a estética revolucionária da direção de arte, da inesquecível trilha sonora ou sobre a perfeita sintonia do elenco com a direção. Só que não vou falar sobre nada disso, vou falar sobre Engenharia Genética, a base do roteiro.
Naquela época a Engenharia Genética era só um sonho. O conhecimento dos genes estava avançando e o sequenciamento de DNA ainda estava sendo desenvolvido. Ainda assim o filme imaginava um mundo em que, em 2019, a manipulação genética esteja tão avançada a ponto de se criar androides orgânicos (os replicantes). As formas e comportamentos desses eram especificamente desenvolvidos para as atividades fins aos quais eles se destinavam. Por exemplo, havia um replicante de “brinquedo” que tinha um enorme nariz.
Pois é, há poucos dias estava num corredor de um prédio comercial e cruzei com uma bela jovem com um grande curativo no nariz. Claramente a moça tinha feito uma rinoplastia. A naturalidade que a menina ostentava as marcas recentes da cirurgia, me fez pensar sobre a banalização da cirurgia plástica, especialmente no nariz.
Eu não sou um radical contra as cirurgias plásticas, nem mesmo as estéticas. Lembro que li no livro “A Assustadora História da Medicina”, do qual já falei em outro post que a cirurgia plástica começou exatamente com a rinoplastia. Na Índia antiga, alguns crimes eram punidos com a amputação do nariz (terrível isso), e assim nasceu a solução com técnicas bem primitivas, mas, eficientes. Por outro lado, condeno qualquer tentativa de busca da perfeição estética. Sou daqueles que acham que perfeição rima com obsessão.
Quantas pessoas que conhecemos e que achamos que têm um corpo totalmente normal, mas que insistem em modificá-los através cirurgias? Tenho uma colega que tinha o nariz normal e fez uma plástica e ficou com o nariz bem estranho. Depois ela fez uma segunda cirurgia e deixou mais estranho ainda. É claro que eu sei que tem gente que tem problemas estéticos sérios e outros que têm grande dificuldade de se aceitar do jeito que são, e que, para esses, a cirurgia plástica pode fazer milagres na autoestima. Mas, para grande parte, não faz a menor diferença.
Coloquei no Google as palavras “nariz perfeito”, a resposta foi de vários sites com frases como: “conheça a fórmula do nariz perfeito”, “em busca do nariz perfeito”, “segredos para um nariz perfeito”, “modelo de nariz ideal para cada tipo de rosto”, “como ter um nariz perfeito”, etc. Eu me pergunto, por que ser perfeito? Não é, justamente, a imperfeição que leva à evolução das espécies? Os padrões estéticos não variam no tempo e no espaço? Será que existe algum tipo verdadeiro de perfeição, mesmo que moral?
É, talvez, na verdade, seja eu que estou ultrapassado. Talvez, no futuro, a manipulação genética possa criar pessoas esteticamente perfeitas. Talvez a maior conquista da engenharia genética não seja acabar com a hemofilia ou com a anemia falciforme (que levou tão cedo a minha amiga Mônica), mas sim criar o humano esteticamente perfeito, a começar pelo nariz perfeito.
Um nariz bonito mas não perfeito
Nariz da Sean Young
A coleção de fotos de narizes acima são todas de Sean Young a eterna replicante Rachael, de “Blade Runner”. Considero o nariz dela um dos mais bonitos (eu não disse “perfeitos”) da história do cinema. Só não posso garantir a “autenticidade” dele.

FONTES:
Sites sobre "narizes perfeitos":

terça-feira, 28 de maio de 2013

O "Complexo do Cachorro Vira-Lata", uma visão positiva.

Sindrome do Cachorro Vira-Lata
Eu tinha 17 anos e viajava de carro com a família pela Argentina e Uruguai. Na sala de espera da recepção de um hotel de Montevidéu, folhava um jornal local (“El Pais”) e me espantei quando vi que tinha uma seção só de notícias da Argentina e outra com notícias do Brasil. Não sei se ainda é assim, mas, na época já tinha viajado bastante pelo Brasil e nunca tinha visto num jornal daqui seções sobre um país específico, muito menos latino-americano. 
Muitos anos mais tarde, conversei sobre esse assunto com um colega uruguaio, radicado desde o tempo da faculdade no Brasil. comentei sobre o assunto. Na orgulhosa interpretação dele, o povo uruguaio, sendo mais culto e alfabetizado (no que ele tem razão), se interessava mais sobre os assuntos do mundo. Pensei bastante nisso e a minha interpretação é um tanto diferente. 
Quanto mais estamos fora do foco dos acontecimentos, mais nós sabemos do que acontece nos locais centrais, e menos os grandes centros sabem sobre a nossa realidade. E isso vale para a relação entre o Acre e São Paulo, Brasil e Estados Unidos ou Uruguai e Brasil. Mas também vale para alguma pessoa famosa do seu bairro e você. Todos devem se lembrar de alguma situação constrangedora em que você conhece a pessoa e quando a encontra ela não se lembra de você. Isso mexe com os nossos brios, da mesma forma quando um “gringo” diz que a capital do Brasil é Buenos Aires. 
Por outro lado, quando algum brasileiro vence em algum esporte ou tem algum destaque positivo na mídia internacional, nos enchemos de orgulho. Queremos e precisamos desse reconhecimento. Por toda a minha vida tenho esperado e torcido por um Oscar ou um Prêmio Nobel para um brasileiro. Sim, confesso que também sofro (um pouco) com essa baixa autoestima nacional. Isso que vem sendo chamado de “complexo de vira-lata”. 
Sou de uma geração que ouviu falar muito de Nelson Rodrigues . Mas, já tinha visto várias peças de sua autoria, além de ver filmes e especiais de TV baseados na sua obra, quando ouvi pela primeira vez a tal expressão: complexo de vira-lata. Acho que a expressão resume bem como nos sentimos com relação aos outros povos. Como sempre esperamos o reconhecimento do outro para, só assim, nos sentirmos competentes e capazes. Estamos sempre monitorando as notícias sobre o Brasil que saem na imprensa internacional. Morremos de vergonha quando um brasileiro “dá uma de esperto” no exterior e isso se torna público. Será que isso é tão importante assim? Será que todo o brasileiro lá fora nos representa, para o bem ou para o mal? 
Não é que eu defenda o isolacionismo cultural, do tipo “eu me basto”. Para mim, a verdade sempre tem mais de um lado. Se conhecermos as versões de todos os lados, podemos ser mais justos no julgamento. Se é que precisemos fazer algum julgamento. Assim, se acompanharmos o que a mídia internacional fala sobre nós e a posição dela sobre os acontecimentos que nos afetam, podemos formar melhor uma opinião. Com menos probabilidade de sermos “contaminados” por opiniões parciais ao extremo. Também acho fundamental tentarmos compreender a realidade dos outros povos. E falo de todos os povos, não só os polos econômico-culturais, mas os países periféricos também. Além disso, quanto mais íntimos nos tornamos dos outros, mais difícil de existirem ódios gratuitos. 
Me convenci dessa necessidade de procurar sempre o outro lado, quando estava lendo um livro sobre a Guerra do Paraguai. Decidi dar uma conferida em algumas informações na Wikipédia e, para o meu espanto, havia uma série de diferenças entre a versão em Espanhol (onde é chamada de Guerra de la Triple Alianza) e a em Português. Procurei alguns blogs paraguaios e lá vi “outra” guerra. Não estou dizendo que eles têm ou não razão. Só repito que a verdade tem mais de um lado. 

Mas a falta de identidade nacional, se é que isso realmente é necessário, é outra característica marcante no complexo de vira-lata. Por exemplo, eu sempre considerei o Brasil um país ocidental, não só geograficamente, por óbvio, mas, principalmente, no aspecto cultural. Porém, há pouco li o livro “Civilizaçao: Ocidente X Oriente”, do britânico Niall Ferguson. Nele o autor considera que a América Latina não pertence à cultura ocidental (apesar de Espanha e Portugal pertencerem), porque os seus países não seguem uma das 5 principais características dessa cultura que é o amplo direito à propriedade (sendo permitido apenas à uma elite) e a consequente representação política que dela advém. Inicialmente fiquei chocado, mas aí pensei: é tão importante assim ser ocidental (isso admitindo que Ferguson tenha razão)? Qual é a vantagem disso? Acho que cada povo tem as suas peculiaridades. Assim como cada pessoa também tem. Se as pessoas se sentem bem, vivem bem, isso é o que importa. É isso que temos que almejar.

Pode parecer um contrassenso, mas fui buscar a opinião de estrangeiros. Acompanho (pra não dizer que sigo) alguns blogs de estrangeiros que vivem ou viveram no Brasil. Iniciei isso para treinar outras línguas. Em alguns desses blogs, encontrei os argumentos finais para este post. Eles seguem abaixo: 
  • Adventures of a Gringa (a tradução é minha) – site de uma nova-iorquina que viveu no Rio e agora voltou para os EUA com o marido brasileiro. Na lista da 10 coisas que os americanos não entendem sobre os brasileiros, em primeiro lugar vem: “os brasileiros são obcecados pela imagem do seu país. Todo o brasileiro que eu encontrei, inevitavelmente me pergunta, ‘O que você acha do Brasil? Você gosta daqui?’ Isso, aparentemente acontece com muitos estrangeiros. Por que vocês se importam tanto com o que nós pensamos? Vocês são como meninas adolescentes. Vocês sabem que têm um lindo, maravilhoso e incrível país. Por que vocês precisam ouvir isso de nós?”. A gringa também fala que em primeiro lugar na lista das 10 maneiras de irritar um brasileira está: “criticar o Brasil ou os brasileiros, fazendo a qualquer, mesmo que remotamente, comentário negativo sobre qualquer assunto relacionado a eles.” 
  • Japonês em Porto Alegre - Blog que trata de diversos assuntos sobre Japão e Brasil. A descoberta deste blog me inspirou a fazer este post. Conforme o próprio autor “Um dos objetivos deste blog seria passar informações mais reais aos leitores brasileiros ,comparando Brasil à Japão.”. O blog também tem uma lista de “Quais são 13 coisas no Brasil que os japoneses jamais acreditariam!?” . No blog também achei uma frase que acho que resume bem a importância de se informar sobre as outras culturas: “Talvez o ponto de vista de um estrangeiro faça você refletir mais sobre sua cultura, seu costume e seu pensamento, além de conhecer a cultura japonesa e o pensamento japonês.” 
  • (O outro) diario do Olivier ;) - blog de um jornalista francês que vive no Brasil. Ele tem um post, que já é sucesso nas redes sociais, sobre as curiosidades brasileiras. Pincei algumas dessas curiosidades que mais têm a ver com o que estou falando (o texto com o Português confuso é original): “Aqui são umas das minhas observações, as vezes um pouco exageradas, sobre o Brasil. Nada serio.” ; “Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta la. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de ferias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil as vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.” ; “Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. To esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.” 
  • Rachel’s Rantings in Rio - de uma simpática americana que vive no Rio de Janeiro. A lista dela é dos dez erros que “expatriados” cometem quando se mudam para o Brasil (a tradução também é minha). Num deles ela cita: “Ser muito defensivo. É fácil se tornar estressado quando você vem para cá. Também incomoda ter brasileiros criticando abertamente seu país quando descobrem de onde você veio. Eu acho que muito disso vem do governo americano. É fácil estereotipar e/ou se estressar quando se é estereotipado. Você não pode se deixar afetar. Dessa forma você só dá razão à outra pessoa. Seja aberto e você será visto de modo diferente aqui. Seu trabalho é ser você mesmo, independente dos estereótipos criados pelos brasileiros... A não ser que você seja eu. Eu sou uma exceção à regra.” 
Lendo esses blogs me convenço cada vez mais que os estrangeiros devem ser bem-vindos no Brasil como residentes e trabalhadores. Não podemos ficar ilhados e com “medo da concorrência”. Assim como não podemos ter medo de irmos lá para fora. O mundo é cada vez mais uma “aldeia”. 
Para encerrar, quero dizer que, na minha visão, um cachorro vira-lata (alguns da nova geração chamam de rasga-saco), tem grandes qualidades. As raças caninas, em sua maioria, são produto de seleção genética artificial que visavam chegar a determinadas características físicas ou de comportamento. As variações genéticas tiveram como consequências uma série de problemas de saúde específicos de cada raça. Já os vira-latas, atualmente, na onda do politicamente correto, também chamados de SRD (Sem Raça Definida), provêm da seleção “natural”. Sendo assim muito mais resistentes a doenças. 
Deveríamos dar mais valor a nós mesmos e não nos envergonharmos em sermos cachorros vira-lata. Na verdade, essa é a nossa maior qualidade. 

Obs.: A foto acima é da Mila. Uma autêntica vira-lata de rua que foi adotada pelo anjo. Não é uma graça? 

FONTES:
LIVRO:
Civilização: Ocidente X Oriente (Título Original: Civilization: The West And The Rest); Autor: Niall Ferguson; Páginas: 432; Ano: 2012 - Editora Planeta
VIRA LATAS:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_vira-lata
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2011/03/tema-para-debate-a-sindrome-do-cachorro-vira-lata-3254066.html
BLOG DE ESTRANGEIROS QUE VIVEM (OU VIVERAM) NO BRASIL:
http://www.blog-vivendo-porto-alegre.info/
http://www.riogringa.com/
http://traducao-japones.blogspot.com.br/
http://olivierdobrasil.blogspot.com.br
http://myportoalegre.blogspot.com.br/
http://levandooalceparacasa.blogspot.com.br/2012/11/blogs-de-estrangeiros-sobre-o-brasil.html
http://eatrio.net/
http://rachelsrantings.com/
http://daniellebrazil.blogspot.com.br/
http://gringagoestobrazil.blogspot.com.br/
BLOG DE BRASILEIROS NO EXTERIOR:
http://noivaexpatriada.blogspot.com.br/
http://levandooalceparacasa.blogspot.com.br/
http://egitoebrasil.com/
https://expatriados.wordpress.com/
http://esposadepaquistanes.blogspot.com.br/
BLOGS E NOTÍCIAS SOBRE A VISÃO DOS ESTRANGEIROS A RESPEITO DO BRASIL:
http://cleber.net.br/node/5 
http://dialogospoliticos.wordpress.com/2011/09/21/veja-como-vivem-e-onde-moram-os-estrangeiros-no-brasil/
http://blog.opovo.com.br/turismoenegocios/para-turista-estrangeiro-%E2%80%9Co-melhor-do-brasil-e-o-brasileiro%E2%80%9D-diz-pesquisa/
http://versaobrasileira.blog.br/portugues/como-vivem-os-estrangeiros-brasil/
http://blogdomartins.com.br/brasil/03/05/2013/site-estrangeiro-mostra-para-o-mundo-a-violencia-do-brasil/
http://maribispo.wordpress.com/2011/04/08/o-olhar-estrangeiro-sobre-o-brasil/
http://www.flashesdeviagem.com.br/2012/08/como-o-brasil-e-o-brasileiro-e-visto.html
http://www.vistobwv.com.br/blog/industria-do-petroleo-leva-50-mil-estrangeiros-ao-brasil-em-tres-anos/
http://www.fecomercio.com.br/blog/2012/08/20/percepcao-dos-turistas-estrangeiros-com-o-brasil/
http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2013/04/turistas-estrangeiros-listam-coisas-que-acharam-mais-curiosas-no-brasil.html
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2013/04/relato-de-um-estrangeiro-sobre-o-futebol-no-brasil-4118839.html
http://edylladamares.wordpress.com/um-olhar-estrangeiro-para-o-brasil/
http://blogdopauloschiff.wordpress.com/2012/11/15/como-o-estrangeiro-ve-o-brasil/
http://tipsplustips.blogspot.com.br/2013/04/o-brasil-visto-por-estrangeiros.html

domingo, 28 de abril de 2013

Sacrifícios Humanos na Nossa Sociedade (ou Os Tubarões e o Cabeleireiro)


Sobre as mortes violentas e a nossa apatia diante delas.


Quando assisti pela primeira vez o filme “Tubarão” (de 1975 dirigido por Spilberg), fiquei muito impressionado. O filme é um clássico do suspense/terror, bom ainda para os espectadores de hoje. O elenco e a direção são ótimos, e o roteiro não deixa a desejar. Tem um monólogo do personagem Samuel Quint (vivido por Robert Shaw) que me marcou para sempre. Ele relatava ser um sobrevivente de um naufrágio no finalzinho da 2ª Guerra Mundial. Depois que o navio afundou, os sobreviventes ficaram flutuando no mar, esperando pelo salvamento. Durante os 5 dias de espera, o cardume de tubarões que envolveu o grupo, pegava um marinheiro a cada 15 minutos. Todos ficaram afastados uns dos outros e torciam para que não fossem os próximos. Cada vez que houviam um grito de morte, sentiam, ao mesmo tempo, um alívio por não serem eles e a dor de perderem um companheiro.

Mais tarde vim saber que a história era baseada em fatos reais, e fiquei chocado. O USS Indianápolis tinha 1.196 tripulantes e foi torpedeado pelos Japoneses no Pacífico. Dos 880 que se salvaram do afundamento, apenas 317 marinheiros sobreviveram aos tubarões.
Esta história sempre me fez pensar em quantas vezes lemos as notícias de mortes violentas, em especial no trânsito ou por homicídios. E quase sempre nos consolamos pelo fato de, “pelo menos”, não ser ninguém das nossas relações. Estas pessoas se transformam em números das estatísticas da violência.
Estatística Mortes Violentas
http://poucodemorais.blogspot.com/

Com o tempo fui fazendo uma analogia da nossa reação diante das estatísticas e os sacrifícios humanos da era pré-colombiana. Os Maias e Incas, assim como culturas anteriores em várias partes do Mundo, faziam sacrifícios rituais para agradar ou apaziguar os deuses. Cheguei a conclusão que, por mais frequentes que fossem esses sacrifícios, em nenhum momento devem ter afetado o equilíbrio populacional. Ou seja a morte das pessoas só era sentida, pelo menos assim eu imagino, pelos mais próximos. Para os outros era apenas mais um, desde que não fossem eles. Da mesma forma que olhamos as estatísticas de mortes violentas.

Vejo os inocentes acidentados e assassinados, como sendo as oferendas para os sacrifícios humanos da nossa sociedade. Só damos importância quando nos afeta pessoalmente.
Este post é em homenagem ao meu cabeleireiro do qual fui cliente por cerca de 20 anos. Não cortava o cabelo com muita frequência (pois cada vez tinha menos cabelo), mas sempre que nos víamos colocávamos os assuntos em dia. Conversávamos sobre família, filhos, música, teatro, cinema, futebol (torcíamos pelo mesmo time), política, etc. Como manda a tradição dos “barbeiros”. Ele morreu este mês em consequência de um atropelamento. Da última vez que nos vimos, nas vésperas do fim do ano passado, ele, como era o seu costume, mandou um abraço para toda a família e com os sempre otimistas votos de Natal. O ano de 2013 seria de grandes planos, conforme ele me confidenciou. Não deu. Gustavo, para mim tu não é só uma estatística. Obrigado por ter estado na minha vida.

FONTES:

sábado, 27 de abril de 2013

O Litoral Brasileiro e a Muralha da China


Esta semana estava caminhando e passei na frente de um rádio sintonizado, em alto volume, na “Voz do Brasil”. Só pude ouvir um trecho em que alguém discursava e falava do gigantismo do Brasil e, provavelmente, de alguma dificuldade que isso acarretava. Como exemplo, ele disse alguma coisa assim: “um país que tem um litoral tão grande quanto a Muralha da China...”.
Aquela frase ecoou na minha cabeça. Por maior que seja o litoral do Brasil ele levou milhões de anos para tomar a forma atual. Por outro lado a Grande Muralha foi feita por mãos humanas e isso me pareceu muito mais impressionante.
Fui pesquisar na Wikipedia e cheguei a alguns números:
   a) Litoral Brasileiro – 7.400 km de extensão (se contarmos as reentrâncias, como baías e falésias, chega-se a 9.200 km). Já percorri de carro cerca de 4.400 km de litoral, não posso dizer que entrei em todas as praias desses trechos, mas pelo menos passei perto. Isso dá cerca de 60% do total. É muito chão, conheci lugares incríveis e sei que tem muito mais para ver.
    b) Muralha da China – 7.000 km atuais (8.850 km considerando-se os trechos já destruídos). Levou cerca de 1.600 anos para ser construída. Especialistas estimam que foram usados cerca de um milhão de trabalhadores na construção, sendo que 80% deles devem ter morrido de fome, de frio, de doenças e de acidentes durante a obra. Nunca estive nem perto da China, mas não posso deixar de admirar a obra e respeitar àqueles que trabalharam nela.

CRÉDITOS:

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estou vivo graças à medicina moderna.

  Vou começar dizendo que não sou contra os tratamentos ditos "alternativos". Terapias com ervas, homeopatia, quiropraxia, etc. se mostram eficientes em várias situações. Mas, principalmente, são tratamentos menos agressivos. Quando não se sabe exatamente qual a causa da doença (ou mesmo que doença é) o abuso de medicamentos pode ser pior do que o problema original. Também, quando não há mais esperanças nos tratamentos convencionais, toda a alternativa é válida para tentar a cura ou, pelo menos, aliviar a dor.
  Por outro lado, há muitos anos fiquei de "fiel depositário" dos livros de um amigo que havia se mudado para o exterior. Um dia resolvi ler um deles: "A Assustadora História da Medicina" (de Richard Gordon, com edição brasileira da Ediouro, ainda à venda com uma capa diferente da que eu li). No livro, um bem humorado relato da história médica, são descritos três procedimentos mudaram radicalmente a medicina ocidental. A assepsia (que diminuiu enormemente as infecções e contaminações durante os tratamentos), o uso de anestésicos (que permitiu procedimentos cirúrgicos invasivos) e a descoberta dos antibióticos (que apesar de todos os efeitos colaterais, permitiu que as doenças bacterianas, finalmente tivessem um combate eficaz).
  O uso desses procedimentos, tão corriqueiros hoje para nós, foi o principal fator para o grande salto na longevidade conseguido do século XIX ao XXI. Eu, como disse, só estou vivo graças a isso. Com 10 anos tive apendicite aguda, se fosse no século XVIII, teria morrido de peritonite, com certeza. Já com 45, tive uma crise de cálculo renal e a pequena pedra ficou presa no ureter, o meu rim começou a inflamar e a inchar. Se fosse no passado, só teria sobrevivido com muita sorte.

sábado, 6 de outubro de 2012

Visitando a minha cidade

No próximo dezembro, completa 30 anos que moro aqui nesta cidade.
Em todos os guias turísticos sempre apareceu a igreja da foto. Mas eu nunca tinha ido.
Cheguei a morar bem perto. Mas parecia ser perto demais para ser um ponto turístico. A vida deu muitas voltas, e hoje não moro tão perto. Mesmo assim tomei "vergonha na cara" e fui. A pé mesmo, meia hora de caminhada numa tarde quente e ensolarada.
Gostei. Me senti orgulhoso de poder dizer que já fui a todos os principais pontos turísticos da minha terra adotiva.
E você, já "visitou" a sua cidade?

domingo, 26 de junho de 2011

Ceticismo saudável

Em 2007 postei num site o comentário, com o nome de "ceticismo saudável", sobre a possível viagem da frota imperial chinesa às Américas no ano de 1421, viajando pelo Atlântico. A origem dessa história é o livro "1421 – O ano em que a China descobriu o Mundo", de Gavin Menzies (para quem é mais interessado veja o site oficial do autor: http://www.gavinmenzies.net/index.asp). Nele Menzies usa como argumento mapas (que eu anda não tinha visto na época.
Naquela época tinha lido recentemente o livro "When China Ruled The Seas", de Louise Levathes (infelizmente não publicado em Português). No livro, que focava a impressionante história de Zheng He, o escravo eunuco e muçulmano que acabou chefiando a frota imperial chinesa. Nesse livro havia a imagem de algumas cartas de navegação chinesas da época. Não eram nada parecidos com os mapas europeus da mesma época. Eram mapas costeiros, que eram bem apropriados para o tipo de navegação de cabotagem que os chineses costumavam fazer. Seus navios também não eram apropriados para longas viagens em mar aberto, eram grandes (pelo menos alguns deles), lentos e pesados. Além disso, a tripulação era enorme e, somado à lentidão da frota, seria preciso uma enorme quantidade de provisões para sustentá-la em uma viagem tão longa. Para se ter uma idéia, a primeira viagem de Colombo, com embarcações bem mais rápidas, durou 5 semanas.

Voltando ao post original:
"Pesquisei, mas não encontrei muitas informações sobre o mapa. Há algumas referências de que os chineses, talvez tenham chegado à costa americana do Pacífico. Porém é muito improvável que tenham chegado à América pelo Atlântico. Além disso. É só analisar os relatos das viagens de Zheng He para concluir que não haveria tempo hábil para que ele pudesse fazer viagens tão longas com o tamanho da frota que possuía e tendo que parar longos meses nos portos para negociar mercadorias. Além disso, as viagens de Zheng He foram exaustivamente planejadas. Ele não foi a nenhum lugar que não tivesse informações detalhadas do que iria encontrar. Por outro lado se houver provas sólidas dessas viagens. Gostaria de ter mais informações. No momento, mantenho o meu ceticismo saudável."

Continuo cético.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Não abandone a história

Por formação, aprendi que deixar comida no prato é uma má atitude. Um pecado. Assim também sinto quando vejo uma casa vazia, abandonada. Mesmo um imóvel que fica tempo demais esperando para ser locado ou vendido, degradando-se. Pior ainda são as obras inacabadas, é como se um enorme desperdício de recursos estivesse presente. Todo o trabalho de meses, às vezes anos, tenha sido jogado no lixo antes de ser usado. Me corta o coração de engenheiro.
No mundo virtual é a mesma coisa. Uma conta no Orkut ou Facebook que está inativa é um símbolo de abandono. Como se o proprietário estivesse renegando uma parte de sua vida. Melhor seria cancelar a conta. No caso dos blogs abandonados é própria personalidade do blogueiro que se foi. É um diário abandonado. Não abandone o seu blog.
A história da vida privada foi quase toda contada através de cartas e diários. Hoje, com os e-mails protegidos contra intromissão externa e a fugaz vida de um arquivo privado na internet, é fundamental que se mantenham os blogs vivos. Nós estamos fazendo a história.
P, gostei de ver o teu blog voltar à vida.

domingo, 29 de maio de 2011

Guerra do Paraguai

Há uns 25 anos li um livro que falava que um dos meus tataravôs, por parte de mãe, tinha participado da Guerra do Paraguai. Duas semanas atrás, lendo um livro sobre essa mesma guerra, vi o nome de outro tataravô, desta vez por parte de pai. A história, as vezes converge para o mesmo ponto.