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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Equilíbrio entre o uso da água e da energia

Imagem: Free Stock

Há algum tempo coloquei uma frase no meu blog dizendo que o binômio água-energia definiriam o futuro da humanidade. Hoje li um artigo na Scientific American Brasil que retoma este tema.Na verdade, o artigo se estende pelo planejamento da produção de alimentos, além da água e da energia. Porém, dois trechos me chamaram a atenção:
"Cerca de 80% da água que consumimos destina-se ao cultivo dos nossos alimentos. Quase 13% da produção de energia é aplicada para captar, limpar, distribuir, aquecer, refrigerar e eliminar a nossa água.""Gastamos mais água utilizando nossos interruptores de luz e tomadas elétricas que abrindo nossos chuveiros e torneiras, porque é necessária muita água para resfriar usinas de energia[...]. Também consumimos mais energia para aquecer, tratar e bombear nossa água que para gerar iluminação. Desligar as luzes e os aparelhos poupa enormes quantidades de água, e desligar a água economiza grandes quantidades de energia."
Mesmo se considerarmos que os dados são mais focados na realidade americana, a informação é preciosa e devemos carregar na mente como um mantra.


Fonte:
"Energia + Água + Alimentos" - Um quebra-Cabeça para o Planeta. Por Michael E. Webber. Scientific American Brasil nº154, março/2015, p.47


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O ciclo da água em Porto Alegre

Um modelo para estudos do ciclo urbano da água. Um estudo de caso sobre o enfoque do consumo humano.

Obs.: Este post é uma reedição de mais um trabalho que escrevi, em janeiro/2003, quando estava fazendo mestrado. Agora coloco aqui para torná-lo público e servir de base para outros trabalhos. Novamente, o estilo é um pouco mais acadêmico do que o de costume, porém, simplifiquei e atualizei os links das referências bibliográficas (sem deixar de mencioná-las) e também alterei a numeração dos itens. Diferentemente do trabalho anterior, sobre ética, este está desatualizado quanto aos dados, mas eu sempre gostei dele porque, mesmo com dados defasados o modelo é interessante. Ao longo do trabalho coloquei observações (em Itálico) que são recentes. No final eu coloquei umas dicas sobre como conseguir dados novos e sugestões para que você faça o mesmo com qualquer outra cidade.

1. Introdução

Fonte: Google Maps
Vivemos numa época em que os recursos naturais são cada vez mais escassos e onde seus custos de aquisição cada vez mais elevados. Paralelamente vemos que a população mundial cresce em proporções geométricas. São urgentes soluções para conservação dos recursos existentes e a busca de alternativas para um desenvolvimento sustentável. E as soluções devem ser buscadas na própria comunidade e ambiente em que se vive. A partir do conhecimento desse meio-ambiente onde fica a comunidade.
A água é um recurso natural fundamental à sobrevivência humana e sua preservação é dever de todos. Portanto este trabalho tem como finalidade fornecer subsídios para a compreensão do funcionamento do ciclo urbano da água no município de Porto Alegre. Dando-se uma ênfase à água para consumo humano e aquela que resulta do consumo humano.

domingo, 25 de agosto de 2013

O petróleo vai acabar?

Uma análise profunda das perspectivas para o petróleo no Mundo e no Brasil.

Fim do Petróleo
Fim do Petróleo
Se você quer uma resposta tipo sim ou não, então NÃO. Porém se você tiver paciência para a explicação a resposta é SIM. Ele vai acabar pela sua inviabilidade econômica.
Depois de ler um artigo escrito pelo jornalista Celso Ming (do Estado de São Paulo)  e da sua interpretação dúbia da reportagem de capa da revista inglesa The Economist de 01/08/2013 , resolvi escrever sobre este assunto. Já é um assunto bastante batido, mas quero deixar a minha opinião. Fiz uma longa análise, espero que sirva para você.

domingo, 14 de julho de 2013

A indústria do petróleo acabou com o carro elétrico no início do século XX?

A relação difícil entre a indústria do petróleo e o carro elétrico, histórico e perspectivas.

- A origem da questão de quem “acabou com o carro elétrico”

Quem Matou o Carro Elétrico?
Uma das acusações mais frequentes que tenho visto contra o setor petrolífero é de que ele “acabou com o carro elétrico” nos primórdios da indústria automobilística. Pesquisando um pouco mais a fundo, acho que a maior responsável por essa “lenda” foi uma interpretação equivocada do filme “Quem matou o carro elétrico?”. Assisti o documentário completo e achei muito bom. Todos os interessados em carros, combustíveis e ecologia deveriam assistir.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O preço da gasolina varia com o dólar?

- Pressupostos sobre a variação da gasolina com a cotação do Dólar.

Seguindo a análise que eu fiz no post anterior, vamos continuar vendo a variação do preço da gasolina nos últimos 10 anos.
Já vimos que o reajuste da gasolina na bomba, pouca relação tem com a variação da inflação. Por outro lado, as empresas produtoras de petróleo, vendem ele conforme a cotação internacional, que é em dólares americanos. Assim, cabe um comparativo da evolução do preço da gasolina em reais e o preço dela convertido para o Dólar.
Novamente fiz um comparativo do preço da gasolina, nos últimos 10 anos (de julho de 2003 a junho de 2013), na cidade de Porto Alegre.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O preço da gasolina varia com a inflação?

Variação do Preço da Gasolina

- A variação dos preços da gasolina ao longo do tempo.

Uma das maiores acusações nas redes sociais contra a política do petróleo no Brasil é sobre o preço ao longo do tempo. Será que a gasolina subiu mais do que a inflação?
Primeiro é bom deixar claro de que os preços dos combustíveis não são mais tabelados desde 2002 (conforme informação da própria ANP). Assim, a variação de preços em uma cidade não é, obrigatoriamente, igual ao de outra. Para tentar responder à pergunta fiz um comparativo dos últimos 10 anos (de julho de 2003 a junho de 2013). Escolhi a cidade de Porto Alegre, por razões pessoais.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O petróleo não é só gasolina e diesel. (derivados do petróleo)

Derivados produzidos no Brasil
Mais um post na tentativa de clarear as questões sobre petróleo e gasolina.
Parece muito evidente que os derivados do petróleo não são só o diesel e a gasolina, mas é importante ter isso em mente. Quando falamos em autossuficiência, capacidade de refino, valor dos combustíveis, entre outros aspectos, temos que ter esse conhecimento.
Vamos para o início da história. Mesmo na antiguidade já se usava o betume, que é uma espécie de petróleo pesado, nas construções. No início da “indústria do petróleo” no século XIX, quando começou a exploração propriamente dita, o primeiro derivado usado em larga escala foi o querosene iluminante, para lamparinas. Os outros subprodutos eram “sobras” com pequeno ou nenhum valor comercial. Assim a tentativa era de sempre produzir o máximo de querosene com o tipo de petróleo disponível.
Sim existem vários tipos de petróleo. O petróleo é um mineral de origem orgânica que varia bastante de qualidade de acordo com a sua localização no Mundo. O petróleo produzido na Venezuela não é igual ao da Arábia Saudita que também não é igual ao do Brasil. Assim como o que é produzido no recôncavo baiano não é o mesmo que da bacia de campos. Nem mesmo dois campos vizinhos têm petróleo idêntico. E cada tipo de petróleo serve mais para a fabricação de um determinado derivado do que outro.
Simplificando, alguns são melhores para produzir, por exemplo, asfalto e outros melhores para produzir gasolina. Além disso, cada refinaria tem a sua estrutura preparada para trabalhar melhor com um ou outro tipo de petróleo. Portanto, não é tão simples trocar o tipo de petróleo fornecido como matéria-prima para uma determinada refinaria. Mesmo assim é possível fazer ajustes na produção de modo a fabricar mais um produto e menos outro, como produzir mais diesel e menos gasolina e vice-versa.
Resumindo, a qualidade do petróleo, a capacidade instalada da refinaria e os interesses comerciais é que determinam a quantidade de produção de gasolina, diesel ou qualquer outro derivado. 

Em linhas gerais os derivados do petróleo são os listados abaixo:
  •  gás de petróleo (metano, etano, propano e butano): usado para aquecer, cozinhar, fabricar plásticos. É liquefeitos sob pressão para criar o GLP (gás liquefeito de petróleo).
  •  nafta: matéria básica da indústria petroquímica (eteno, propeno, butadieno e correntes aromáticas) e podendo ser reprocessada para produzir gasolina.
  •  gasolina: combustível de motores (para automóveis e aviões de pequeno porte).
  •  querosene: combustível para motores de jatos (QAV) e para lamparinas (iluminante).
  •  diesel: óleo combustível.
  •  óleo lubrificante: usado para produzir óleo de motor, graxa e outros lubrificantes. • óleo combustível: usado como combustível industrial.
  •  resíduos: coque, asfalto, alcatrão, breu, ceras, além de ser material inicial para fabricação de outros produtos. 
FONTES para se aprofundar no assunto: 
Wikipédia - Petróleo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leo
LIVRO: Petróleo: do Poço ao Posto, Autor: Luiz Cláudio Cardoso, Editora: Qualitymark, Ano: 2005.
Como funciona o refino de petróleo: http://ciencia.hsw.uol.com.br/refino-de-petroleo2.htm
Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural E Biocombustíveis – ANP - 2012: http://www.anp.gov.br/?pg=62402&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1372719253230
Quantos e quais são os tipos de petróleo?:

http://www.apetro.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=89&Itemid=53

domingo, 30 de junho de 2013

Petróleo e o efeito estufa

Depois de ler uma série de barbaridades escritas por pessoas desinformadas, achei que deveria ajudar a esclarecer um pouco. Assim decidi fazer uma série de posts sobre a gasolina e o petróleo. Procurarei ser o mais imparcial e informativo que eu puder. A minha intenção é dar subsídios a um debate saudável e isento, sem pender demais para A ou B.


Carro Efeito Estufa
Petróleo e efeito estufa
Para quem pensa que farei uma defesa acalorada do petróleo se engana. Contando uma historinha primeiro: há muitos anos tive uma estagiária que entrou num processo de seleção para entrar numa empresa fabricante de cigarros. Na entrevista em grupo o mediador fez a seguinte pergunta: “como você se sentiria em trabalhar numa empresa que produz o principal responsável pelo câncer de pulmão?”. Analogamente eu faço a pergunta: “como você se sentiria em trabalhar numa empresa cujo produto é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa?”. Por outro lado, não se pode dizer que o uso de derivados de petróleo como combustível para os veículos de transporte seja o maior responsável pelo efeito estufa como um todo.
Conforme o World Resources Institute as principais atividades geradoras de gases do efeito estufa no Mundo são:
- Geração de Eletricidade e Calor (24,9%) – aqui também entra o petróleo 
- Indústria (14,7%)
- Transporte (14,3%) – embora o petróleo seja a maior fonte, não é exclusiva
- Agricultura (13,8%)
- Mudanças no uso do solo (12,2%)
- Outros combustíveis (8,6%)
- Processos industriais (4,3%)
- Lixo (3,2%)
- Emissões de gases provenientes de equipamentos de pressão (4%)

Para o Brasil, segundo a publicação Economia & Energia e emissão de gases do efeito estufa em equivalente a CO2.
  
Emissão de Gases CO2 no Brasil
Emissões de gases do efeito estufa no Brasil
Considerando-se que a participação mundial do petróleo na geração de energia elétrica é de apenas 7%, enquanto o carvão (bem mais poluente) é responsável por 40% da geração, também não é o petróleo o maior responsável pela poluição neste quesito. No Brasil a composição da geração de energia elétrica é bem diferente como mostra o gráfico abaixo.

Energia Elétrica no Brasil
Fonte: Ministério das Minas e Energia
De qualquer forma, ainda assim os derivados de petróleo são amplamente responsáveis pela poluição provinda dos meios de transporte. Sobre biocombustíveis, é bom lembrar que, atualmente, o Brasil utiliza uma gasolina automotiva com 25% de adição de álcool anidro e um diesel com 5% de adição de biodiesel.

Combustíveis no Transporte
Fonte: O Globo - FGV
Como vemos acima, infelizmente, os derivados de petróleo ainda serão por muito tempo a principal fonte de energia para os transportes. Se você sentiu falta do hidrogênio, informo que, segundo Laurence Smith, não teremos grande representatividade dele antes de 2050.

FONTES DE PESQUISA:
http://www.ecen.com/eee85/eee85p/emissoes_gee.htm
http://oglobo.globo.com/projetos/painelfgv/mat/mat14.asp
http://carolinabrauer.wordpress.com/2011/12/02/petrobras-oferece-curso-sobre-energia-a-jornalistas-de-minas/
https://ben.epe.gov.br/downloads/resultados_pre_ben_2011.pdf
Livro: O MUNDO EM 2050 - Autor: Laurence Smith - Editora: Elsevier

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A pior seca dos últimos 60 anos

Uma avaliação comparativa dos efeitos da seca no Nordeste.

Na semana passada estava assistindo o Jornal Nacional, coisa que faço raramente, portanto não acompanho muitas “séries de reportagens”. Pois bem, naquela ocasião vi uma reportagem sobre a atual seca do Nordeste. Naquele momento fiquei tocado, afinal nas raras vezes que fiquei sem água em casa já achei o caos.
Depois comecei a pensar melhor sobre o assunto e me lembrar de outra seca marcante na minha memória. A do início dos anos 80. Naquela época, houve uma reportagem memorável no Fantástico (de 1983) em que o repórter João Batista Olivi, chora ao entrevistar um menino que encontrava força e esperança para brincar mesmo numa situação como aquelas. Lembro também das campanhas para arrecadar fundos para os flagelados da seca. Procurei no Youtube o vídeo da reportagem, e nele também aparecem as tão famosas “frentes de trabalho” (uma maneira dos governos darem emprego àqueles que tinham perdido tudo).
Seca de 1983

Comparando as duas reportagens, com exatos 30 anos de diferença, uma coisa ficou clara: a situação do povo melhorou muito. Não, não pensem que enlouqueci ou que estou fazendo alguma apologia política para o partido A ou B. Se têm dúvida, vejas as reportagens. Em 1983 as crianças choravam de fome, as mães choravam por não terem o que dar de comida para os filhos, não havia água nem para beber, muita gente morreu de desnutrição, o gado morria de fome... Pois bem, apesar da seca de 2013 ser a “pior dos últimos 60 anos”, isso dito pelo Secretário de Recursos Hídricos de Pernambuco, Almir Cirilo, a grande reclamação hoje é a perda do rebanho de gado. Nas palavras do agricultor Magno Moura, segurando o choro: “Ninguém pode analisar a dor de um nordestino que perde seus animais. É duro demais. Só quem está aqui, no dia a dia, vendo eles morrendo aos poucos, sabe". Na mesma reportagem aparece a dona de casa, Maria Jo, cuja maior reclamação era a pouca água disponível, e comentava a falta que ela sentia de um banho de chuveiro.
Pior Seca dos Últimos 60 anos

Pior Seca dos Últimos 60 anos

Pior Seca dos Últimos 60 anos

A diferença é gritante, a fome já não mata as pessoas, somente o gado. A água, de uma forma ou de outra vai até elas e a migração já não é tão grande quanto em outras épocas.
Para quem ainda ficou em dúvida, aconselho a lerem o livro “Holocautos Coloniais”. Li este livro há uns 8 anos e foi como um soco no estomago. Nele o autor analisa períodos de seca entre 1875 e 1900 em três localidades: China, Índia e Nordeste Brasileiro. Ele demonstra que os períodos de seca são cíclicos e globais, fortemente influenciados pelo fenômeno “El Niño”. Ou seja, quando houve grandes secas no Nordeste, também houve em outros locais do mundo. O livro demonstra claramente a ocorrência das secas e a correlação estatística entre vários fenômenos. Além disso, mostra a terrível realidade da morte por fome de mais de 30 milhões de pessoas, num período de 25 anos nesses três locais. No Brasil ele estima entre 1 e 2 milhões de mortos. Numa citação ele diz que “durante 1877 e 1878, a mortandade no Ceará foi provavelmente perto de 500 mil, ou mais da metade da população”. A conclusão do autor é de que todas essas mortes poderiam ter sido evitadas se o imperialismo comercial daquela época não tivesse sido tão intenso.
Ainda bem que as coisas estão bem melhores.

FONTES:
- Holocaustos Coloniais – Mike Davis – Ed. Record – 486 p.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Viver no campo ou na cidade grande

Hoje li no blog do Rafael Cortez o relato sobre uma amiga dele que mora na zona rural de uma cidade bem pequena. Longe da tecnologia, sem luz elétrica, sem celular e que só usa o e-mail em uma lan-house.É bem mais romântico e saudável viver assim. Só que tem vários problemas: se todos os 7 bilhões de habitantes deste planeta deixassem as grandes cidades e fossem viver nos campos, plantando e colhendo o seu próprio alimento, o desmatamento seria bem maior do que é hoje. Além disso, a vida de todos seria bem mais dura. As grandes cidades são um mal necessário. Esses devaneios bucólicos têm que ficar restritos a poucos sob pena de acabarmos mais cedo com o planeta. Para quem quiser conferir o blog do Cortez:
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/rafael-cortez/outro-modo-viver-170902562.html

Viver no Campo ou na Cidade
P.S.: obrigado pela foto Cris.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Água e Energia

Água e energia é o binômio que definirá o futuro próximo da Humanidade. Pensem nisso!