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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Ética na Ciência

Quais são os limites da ética no estudo científico? Uma monografia, com exemplos históricos de conflitos éticos na ciência.

Obs.: Este post é uma reedição de um trabalho que escrevi, em agosto/2002, quando estava fazendo mestrado. Agora coloco aqui para torná-lo público. O estilo é um pouco mais acadêmico do que o de costume, porém, simplifiquei e atualizei os links das referências bibliográficas (sem deixar de mencioná-las) e também alterei a numeração dos itens.

1. Introdução

Vivemos numa época em que conceitos caem por terra diante da falta de comprovação científica. Assim acostumamo-nos a acreditar que alguma coisa só tem existência e projetos só têm viabilidade se comprovados “cientificamente”. Consequentemente, a ciência torna-se a “religião da modernidade”. Mas sabe-se que toda religião tem seus padrões morais, e esses são objetos do estudo da Ética. Portanto quando se faz ciência não se pode fugir da ética.
Este trabalho tem como finalidade mostrar alguns pontos, que são mais polêmicos, relativos à ética científica, através de alguns exemplos históricos e outros atuais, procurando questionar os limites éticos da ciência.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Será que é Bullying? (ou, ela não gosta tanto de ir à escola)


Já passava da hora da menina de 11 anos dormir e fui até o quarto para conferir. Me deparo com ela já deitada e coberta, escrevendo em um caderno. Pedi que ela largasse o caderno e dormisse logo. Ela pediu mais um tempinho porque já estava terminando. Pouco depois ela me chama e me entrega o caderno dizendo para eu ler o texto dela, que era assim: 
Qual é a radicalidade disso? Acordar com a cara feia, o cabelo em pé, o pijama amarrotado. Você se arruma, penteia o cabelo, Põe o uniforme, mas, na verdade, quando está indo para a escola já pensando na hora de voltar. 
Você já está na porta da escola, na sua frente passa aquele seu colega que é um chato e que faz sua autoestima baixar. Você chega na sala já pensando como retrucar as ofensas do colega. 

Já existe uma rotina diária. Não tem como evitar. É assustador e a escola se torna um lugar mais parecido com uma rede social, com todos os seus grupos fechados, no qual as pessoas competem para ver que tem mais amigos ou seguidores. 

Texto sobre Bullying


Na hora fiquei com o coração apertado. Mas me segurei e elogiei o texto. Perguntei para ela quem era o menino de quem estava falando. E ela disse: “são tantos que não cabem nos dedos das mãos”. Continuei a conversa e ela contou meio constrangida que se dava bem com alguns e não se dava bem com vários outros colegas. Percebi que ela estava angustiada, mas pedi que ela tentasse dormir logo, dei um beijinho na testa e saí do quarto. Minutos mais tarde ela já estava dormindo. 
Quando eu tinha a idade dela era um dos alvos favoritos das chacotas e implicâncias dos colegas. Sempre fui muito tímido e os outros se aproveitavam disso. Foi difícil e demorado, mas superei. Isso marcou a minha vida. Naquela época não se falava em Bullying. Por outro lado, a lei do mais forte sempre valeu, mas eu não sofria só nas mãos dos meninos, algumas meninas também me incomodavam. Ainda me questiono qual é o limite do que é bullying e do que é, simplesmente, reflexo da sociedade como um todo. Acho que temos que passar por esses desafios na juventude para não cairmos na visão ingênua de que todos são bonzinhos e devem ser “irmãos”. Ainda assim temos o dever de proteger os mais fracos. Pelo menos é o que eu acredito que nos diferencia dos animais selvagens, que simplesmente tentam melhorar as suas condições de sobrevivência na natureza. 
Pela manhã ela acordou mais animada, com o pijama amarrotado. Se arrumou, penteou o cabelo e foi para a escola. Ela é uma ótima aluna, dedicada, engajada, participativa e com boas notas. Espero que possa superar essas dificuldades. Vou tentar sempre estar do seu lado. Entes dela entrar no colégio pedi autorização para publicar o texto dela e dei um beijinho desejando uma boa aula (e no fundo do coração desejando que ela tenha uma boa vida).

domingo, 19 de maio de 2013

O corretor da Língua Portuguesa e a "faixa etária de renda".

Entrei na imobiliária e rapidamente o corretor veio me atender, me fez sentar e ofereceu um cafezinho. Agradeci e disse que tipo de imóvel estava procurando. Em seguida ele me perguntou qual a faixa "etária" do imóvel que eu estava disposto a pagar. Achei que tinha ouvido errado e seguimos a conversa. Ele me mostrou na lista que ele tinha todos os apartamentos que estavam dentro do valor e especificações que eu dei. Em seguida falamos sobre a forma de pagamento e eu disse que deveria ser financiado. Foi então que ele fez uma nova pergunta: qual a sua faixa "etária" de renda? Dessa vez eu tive certeza que ouvi certo.
Ficamos conversando por mais de meia hora, visitamos imóveis à venda, etc. Infelizmente o negócio do apartamento não saiu, apesar da gentileza do corretor.
Voltei para casa e procurei na internet qual a minha faixa etária. Achei as respostas mais diferentes possíveis.   Só a título de curiosidade, olhem os sites abaixo:
Conclusão, o corretor, com o seu erro de Português, colocou uma dúvida na minha cabeça. Eu sei qual o valor da minha renda e do imóvel que quero adquirir, mas não sei ainda a minha "faixa etária".

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Entendendo a Lei das Cotas nas Universidades Federais

Não importa se somos contra ou à favor, o primeiro passo é entender.

Lei 12711/12 dá um prazo até 2016 (com cota crescentes mínimas anuais), para chegar a no mínimo 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que cursaram integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. A Lei também diz que as vagas de que trata [...] serão preenchidas, por curso e turno, por autodeclarados pretos, pardos e indígenas, em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Entendendo a Lei das Cotas


Abaixo segue a tabela dos autodeclarados brancos (não pardos, não indígenas e não pretos) do último censo do IBGE. Faremos o exemplo pela diferença:

A maior Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS. Disponibilizou, no vestibular de 2012, 140 vagas para o curso de Medicina. Dessas, 42 vagas (30%) são para cotistas, sendo metade para egressos de escolas públicas e a outra metade para egressos de escolas públicas autodeclarados negros.




Pelas regras da nova Lei, em 2016 esta proporção seria de 70 vagas para o acesso universal e 70 para cotistas. Porém, a Lei diz que a proporção de pretos, pardos e indígenas deve ser de, no mínimo, igual ao percentual do censo. No caso do Rio Grande do Sul, 16,80%. Ou seja, a Lei obriga a UFRGS a oferecer 70 vagas para cotistas, mas somente 12 para não brancos. Portanto, o número de vagas para pretos, pardos e indígenas, "poderá", cair para quase a metade do que é hoje, embora a Lei favoreça os egressos de escolas públicas.

Existe um outro problema, bem mais delicado. A Lei fala que no preenchimento das vagas de que trata o caput deste artigo, 50% (cinquenta por cento) deverão ser reservados aos estudantes oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (um salário-mínimo e meio) per capita. Considerando-se o altíssimo índice de sonegação de informações de renda que nós, brasileiros, costumamos considerar um problema menor, e não um crime, acho bem difícil de haver controle. Bem mais difícil de determinar se alguém é negro ou não.

Bom, agora resta saber se tudo isso vai trazer alguma vantagem para o País. Espero as avaliações no futuro.

Para saber mais, leiam os sites que pesquisei:





segunda-feira, 4 de julho de 2011

Planejando viagens

Sempre fui um planejador obsessivo, às vezes mais às vezes menos. Também sempre gostei de viajar. Juntando as duas coisas virei um planejador de viagens obsessivo. Até os meus conhecidos me pedem conselhos.
Pois bem, agora que quase não tenho mais condições de viajar a minha filha me deu um livretinho com o nome de "Diário de Viagem", da Tilibra. O livreto é MUITO parecido com as minhas cadernetinhas onde eu fazia o planejamento e o controle das minhas viagens.
Será que o destino (ente no qual eu não acredito) está querendo me dizer alguma coisa?

domingo, 26 de junho de 2011

Os 10 melhores desenhos animados

Na descrição do blog disse que falaria sobre cinema. Sempre adorei cinema. Houve uma época que era a minha única diversão. Com o advento do vídeo-cassete e seus sucedâneos, além de outros fatores, assisti muito mais filmes em casa do que na "sala escura".
Em homenagem aos meus filhos, decidi começar pelos filmes de animação. Listei os meus 10 desenhos favoritos. Para que a lista não ficasse interminável e só contendo clássicos, usei como data limite para desenho mais antigo, o ano de nascimento do meu filho mais velho, 1994. É claro que não assisti todos os longa-metragens de animação lançados nesse período. Portanto a lista é dos favoritos dentre os muitos que assisti. Excluí da lista aqueles que não eram totalmente apropriados para crianças, seja pelo conteúdo ou pela dificuldade de compreensão.
Quem tiver curiosidade veja a lista da Wikipédia:
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_animated_feature-length_films
Vamos lá para a lista dos 10, em ordem de ano de lançamento:
  • - "O Rei Leão" – 1994 (Estados Unidos) – na minha opinião, o último dos grandes desenhos musicais. A cena do estouro da manada é inesquecível. 
  • - "Toy Story" – 1995 (Estados Unidos) – o primeiro filme totalmente digital comercialmente importante. A história do cinema mudou a partir dele.
  • - "FormiguinhaZ" – 1998 (Estados Unidos) – um filme muito inteligente, que permite a apreciação de adultos e crianças em vários níveis. No mesmo ano, foi lançado "Vida de Inseto" que é um filme mais engraçadinho, mais apropriado para as crianças, mas que não é original porque recria a história dos "Sete Samurais" de Kurosawa.
  • - "A Fuga das Galinhas" – 2000 (Reino Unido) – contradizendo o que falei acima, este está na lista apesar de ser baseado em um filme ("Fugindo do Inferno", com Steve MacQueen, que por sua vez foi baseada numa história verídica). Mas neste caso, a qualidade do filme, feito com a técnica stop-motion (com massinhas) e o humor tipicamente britânico, foram um marco da animação.
  • - "Monstros S.A." – 2001 (Estados Unidos) – é difícil falar deste filme sem me emocionar. Sei que não é dos mais populares, mas é o MEU desenho favorito entre todos os que assisti na minha vida. A história, extremamente original dos monstros tentando ajudar a menininha, narrada de uma maneira leve, bem humorada, ágil e sem tensões exageradas, me marcou.
  • - "Madagascar" – 2005 (Estados Unidos) – simplesmente uma das comédias mais engraçadas que conheço (seja animação ou não). Não é piegas, mas também não é apelativo como vários outros.
  • - "Por Água Abaixo" – 2006 (Reino Unido/Estados Unidos) – este não fez muito sucesso, mesmo assim tem qualidades inegáveis. Foi realizado por computador pela mesma equipe que fez a "Fuga das Galinhas". A experiência deles em stop-motion, dá profundidade e textura visuais únicas. Mas isso é só a técnica, o roteiro é cheio de referências para o público adulto, sem tirar nem um pouco do interesse para as crianças. Além disso, quem conhece Londres achará super interessante a riqueza de detalhes sobre a vida britânica.
  • - "Ratatouille" – 2007 (Estados Unidos) – é apaixonante a história, pouco óbvia de mais uma história de ratinhos. Desta vez o rato tem uma comunicação não verbal com os humanos, porém com sinergia e envolvimento. O final também é pouco obvio. Além disso, a reconstituição de Paris vale por si só assistir o filme.
  • - "Wall-e" – 2008 (Estados Unidos) – o filme é claramente dividido em duas partes. Enquanto a primeira é bastante filosófica, lembrando muito os grandes filmes de ficção científica dos anos 60, e agrada em cheio o público adulto que gosta desse tipo de filme. Os primeiros 30 minutos de filme são dignos de um Stanley Kubrik, Steven Spilberg ou George Lucas (que já fizeram ou produziram animação, mas sem essa simplicidade de comunicação). Depois, na segunda parte a qualidade cai um pouco, mas para as crianças é bem mais interessante.
  • - "Up" – 2009 (Estados Unidos) – nos desenhos, os valores da amizade são um lugar comum. Só que desta vez o herói da história é um velinho. Pelo que me lembro é o primeiro filme de animação em que a velhice é tratada com essa ternura e, por alguns momentos, quando narra a história do Sr. Fredricksen e sua esposa, crueza.
Filmes fora da lista dos 10 melhores, mas que merecem uma menção honrosa, por razões bem pessoais:
  • - "Buzz Lightyear do Comando Estelar" – 2000 (Estados Unidos) – animação em 2D, que só saiu em vídeo. Só está aqui pela seguinte frase que o Buzz fala no filme e que eu, por um bom tempo, tinha escrito no meu material de trabalho: "O procedimento é o que nos salva das forças malignas do caos".
  • - "Tigrão – o filme" – 2000 (Estados Unidos/Japão) – esse musical que é uma graça, também só saiu em vídeo. Lembro da minha filha pequena, TODOS OS DIAS pedindo para assistir. Sei a trilha sonora de cor.
  • - "Coraline" – 2009 (Estados Unidos) – esse stop-motion é uma adaptação do livro homônimo. Ele segue uma tradição, relativamente recente, de animações sombrias com um clima de "terror", como "A Casa Monstro" e "A Noiva Cadáver". Todos muito bons, mas um pouco assustadores para boa parte das crianças.
  • - "Meu Malvado Favorito" – 2010 (Estados Unidos) – o filme é delicioso e todos os pais deveriam ser obrigados a assistir com suas filhas.